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A Criação do Conhecimento nas Organizações PDF Imprimir E-mail

Nos últimos anos tem-se acirrado o debate sobre a criação do conhecimento nas empresas. A Universidade de Hitotsubashi no Japão é um dos principais centros de estudos sobre o assunto. Os professores Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi destacaram-se pelos inúmeros artigos sobre o tema. Em especial o livro “A criação do Conhecimento na Empresa” (Editora Campus, 1995), fruto de suas pesquisas.

No ocidente o destaque é para os autores Thomas Davenport e Laurence Prusak. O principal diferencial entre as duas teorias esta no modelo de conhecimento defendido pela cultura oriental e a ocidental. Nonaka e Takeuchi do oriente, desenvolvem seus estudos mais na área do conhecimento tácito. Valorizando o capital humano como o centro da criação do conhecimento. Enquanto Davenport e Prusak do ocidente, focam mais no conhecimento explicito. Tendo como estudos a importância da Tecnologia da Informação como ferramenta para a gestão do conhecimento.

Na realidade as duas teorias se complementam, são estudos aprimorados de um dos primeiros estudiosos sobre o assunto - Michael Polanyi (1891-1976). Polanyi descreveu muito bem o conhecimento tácito como sendo aquele que o indivíduo adquiriu ao longo da vida, pela experiência. É difícil de ser formalizado ou explicado a outra pessoa, pois é subjetivo e inerente às habilidades de uma pessoa. O conhecimento explicito pode ser expresso em palavras, números ou sons e compartilhado na forma de dados, fórmulas científicas, recursos visuais, fitas de áudio, especificações de produtos ou manuais. O conhecimento explícito pode ser rapidamente transmitido aos indivíduos, formal e sistematicamente.

Nos últimos anos tenho dedicado parte do meu tempo em pesquisas que buscam compreender melhor o significado do conhecimento e principalmente como ele é criado. Estudando as diversas teorias, tenho percebido que o conhecimento tem sido um assunto importante na filosofia e na epistemologia desde os dias de Platão e Sócrates. Certamente que naquela época não tenha sido tema central como é visto nos dias de hoje - o conhecimento com foco em gestão.

O principal debate que fundamenta este artigo esta na junção de diversas teorias, com a finalidade de aprimorar ainda mais a compreensão sobre o assunto. E contribuir principalmente na capacidade que as organizações terão na criação do conhecimento. A grande dificuldade observada ao longo das pesquisas até então, é a criação de um fluxograma que possibilite a aplicação das diversas teorias. Com isso surgiu a ideia da Matriz IDMBaC (Informação – Disciplina – Método – Ba – Conhecimento) que é uma fusão entre a Matriz SECI de Ikujiro Nonaka, com outras diversas teorias existentes sobre a gestão do conhecimento.

A proposta oferecida na Matriz IDMBaC esta na criação do fluxograma do processo de criação do conhecimento dentro das organizações. Com a nova matriz a empresa pode criar procedimentos para atingir etapas ao longo do tempo, para que realmente se crie o conhecimento e gere a vantagem competitiva.


Figura 1. Matriz IDMBaC
Fonte: Adaptado de Campanholo (2011)

Informação: é de posse do individuo, e deve ser compartilhada com outros indivíduos da organização, para a criação de um novo conhecimento. As formas de compartilhamento podem ser observadas no estágio 3 (três) quando ocorre a aplicação do método criado por Ikujiro Nonaka.

Disciplina: Antes de dar início a qualquer proposta de compartilhamento, é necessário criar a cultura do ensino aprendizagem. Este processo cabe à organização criar na cultura organizacional. E compreende-se como o estágio mais complexo da matriz. Este estágio é o mais complexo por que trata-se de mudança de comportamento do individuo. Sem disciplina a informação se perde, e não ocorre o processo do estágio 2 (dois).

Método: é a aplicação da Matriz SECI (Socialização, Externalização, Combinação e Internalização), descrita por Ikujiro Nonaka. A organização cria e utiliza conhecimento convertendo o conhecimento tácito em conhecimento explícito, e vice-versa. A criação do conhecimento se inicia na socialização e passa através de quatro modos de conversão do conhecimento, formando uma espiral:

1. Socialização: Compartilhar e criar conhecimento tácito através de experiência direta;
2. Externalização: Articular conhecimento tácito através do diálogo e da reflexão;
3. Combinação: Sistematizar e aplicar o conhecimento explícito e a informação;
4. Internalização: Aprender e adquirir novo conhecimento tácito na prática;

A espiral também é amplificada à medida que passa para os níveis ontológicos, do indivíduo para o grupo e, então, para a organização. Cada modo do processo envolve uma combinação diferente das entidades de criação do conhecimento, como mostrado a seguir:


Figura 2. Espiral do Conhecimento
Fonte: Adaptado de Takeuchi e Nonaka (2008)

Conceito Ba: o próximo estágio é um dos mais importantes dentro da nova Matriz IDMBaC, que é a criação do Ba. O conceito Ba vem da filosofia japonesa, que significa a formação de um ambiente para a criação do conhecimento. Este ambiente pode ser a sala de interação, o cafezinho, bebedouro, áreas de lazer, criação de um espaço físico para encontros, etc. Nos últimos anos as organizações estão tirando as barreiras físicas (redesenho do layout) por compreenderem que para a criação do conhecimento é necessário que ocorra o contato entre as pessoas. Sem este contato não existe a interação - sem interação entre pessoas não há criação de conhecimento.
Dentro deste conceito de criação do Ba, o que mais se destaca é a criação das Universidades Corporativas - UC´s. Um ambiente onde o conhecimento tem grande facilidade de ser disseminado. As UC´s tem trazido resultados mensuráveis para as organizações que estão investindo cada vez mais nesse setor.

Figura 3: Processo de criação do conhecimento no Ba
Fonte: Adaptado de Takeuchi e Nonaka (2008)

Conhecimento: A criação do conhecimento pode ser observada a partir do momento em ocorre o surgimento do contexto capacitante, que esta no conjunto de condições favoráveis que a organização cria para recompensar os comportamentos antinaturais, que são: compartilhamento, abertura a ideias e inovações, tolerância aos erros honestos, aprendizado, solução colaborativa de problemas. A partir deste estágio, os resultados já podem ser observados, entre os quais se destaca a inovação, fruto do capital intelectual.

A principal questão a ser levada em consideração pelas organizações é compreenderem que a criação do conhecimento requer um processo longo, que não se faz em pouco tempo, até por ser uma mudança de cultura, e não apenas de implementação de ferramentas. Conforme afirma Nonaka, “conhecimento em uma organização não se cria no vácuo, é necessário um continuo tempo e espaço para que ele seja criado”. As empresas que buscam cada vez mais a gestão do conhecimento, compreenderam que aprender mais rápido que o concorrente poder ser uma grande vantagem competitiva.

Prof. Tarcisio Campanholo, DSc.

 
   
 

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